O Triunfo de Hórus

     Sentindo que aquela disputa sem fim precisava terminar, e vendo-se cada vez mais acuado, Rá enviou então uma mensagem à sua mãe Neith, a Dama de Saís, para que ela se manifestasse. A resposta veio breve e cheia de impropérios: Neith condenava o comportamento falso dos deuses, e exigia que Hórus fosse legitimado e tomasse posse da herança de seu pai, a qual lhe cabia de direito irrefutável. Diante disso, Rá proclamou Hórus herdeiro de Osíris e decretou que Seth reinasse sobre o deserto e tudo o que fosse estéril.
     Os deuses se rejubilaram com a decisão, Hórus tomou posse do Egito e a paz voltou a reinar: os dois combatentes estavam apaziguados.
     Este drama sagrado tornou-se uma iniciação no interior dos templos. Para os egípcios, atingia-se a iniciação de dois modos: vivenciando os ritos simbólicos no interior do templo, ao se candidatar ao sacerdócio, ou pela morte real.
     Com o tempo, o drama sagrado dividiu-se em iniciação aos Mistérios de Osíris, de Ísis e de Hórus. Certos aspectos simbólicos desse mito, encontram-se expostos na Eneada Heliopolitana. Dele se subtrai o caráter divino do faraó. Faraó é Rá e Hórus sobre a terra, ou Filho de Rá e Hórus Vivente, pois no momento de sua sagração, o rei deixa de ser um ser humano e se torna Hórus ( assim como o Papa, ao ser coroado, recebe o Espírito Santo…). O trono do Egito é, por isso, o Trono de Hórus.
Este belo mito, o qual encerra em si infinitas interpretações, espelha os ciclos da natureza, o temperamento humano, a ânsia do egípcio pela imortalidade em Osíris, seu Salvador. É a mais bela lenda que o Egito nos legou, e o alicerce da Nação Egípcia. Toda mulher buscava ser como Ísis, todo filho, como Hórus, todo pai, como Osíris. E isto equivalia a praticar a Maat…ser justo e perfeito sobre a terra, para atingir a perfeição Absoluta.

 
Volta para Egito Antigo