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Quando
Ísis voltou aos pântanos e descobriu o que sucedera, começou
a gritar, lançou terra sobre sua cabeça, rasgou suas vestes.
Sua dor e seus gritos eram tais, que a barca de Rá deteve seu curso.
O Deus indagou de seu cortejo o que sucedia, e lhe responderam que a barca
só voltaria a navegar, se Ísis fosse ouvida pelo Pai Supremo.
Rá pediu então à Anúbis que socorresse Ísis.
Brilhou imediatamente no céu, na constelação do Cão
Maior, uma estrela, e ela desceu à Terra. Apresentou-se Anúbis
diante da deusa e ela indagou quem era ele ( aqui entra uma curiosa variante
do mito, e interessante jogo de palavras, tão ao gosto dos egípcios
).
"Eu sou ANPW ( anpw= eu sou; o nome anpw expressa o verbo ser. Ao
apresentar-se, Anúbis como que diz: eu sou o que sou).
Diz-se que na noite em que Osíris
foi assassinado, ele embriagado errou de aposentos e entrou no quarto
de sua irmã Néftis, esposa de Seth, dormindo com ela. Quando
Néftis se descobriu grávida, temendo Seth, embrenhou-se
nos pântanos, onde pariu Anúbis e o abandonou. Ísis,
porém, desconfiada da irmã, a seguiu e depois que ela se
foi, acalentou e cuidou de Anúbis. Outras fontes fazem referência
a este deus como sendo filho de Rá .
"Eis-me aqui, conforme meu nome Anpw
eu
sou o desvalido, a criança abandonada que tu criastes
eu sou
aquele desprezado que o teu amor abrigou com piedoso carinho
Eu sou
o consolo do desesperado, o amparo do aflito
Eis que me transformei
num cão, vem, minha irmã, eu farejarei e tu recolherás
num cesto os pedaços do deus".
E assim, onde Anúbis encontrava um
pedaço do corpo, ali Ísis erguia uma capela em louvor de
Osíris. E tendo recolhido todos os pedaços do deus, Anúbis
costurou-o, prendeu-o em ataduras e fez dele a primeira múmia.
Contudo, o pênis do deus havia se perdido para sempre, Osíris
estava incompleto e mutilado.
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