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Na
Eneada Heliopolitana se encontra toda a elaboração de uma
Criação intelectualizada, todo um misticismo voltado para
os fenômenos físicos e cósmicos, e certamente, a verdadeira
teologia oficial do Império, que nunca foi totalmente eclipsada
pelas outras doutrinas, e cuja origem se perde na antiguidade dos tempos
prédinásticos. No inicio nada havia, nada existia. Tudo era trevas e escuridão. No entanto, todas as coisas estavam criadas, mas nada tinha forma e nem se tomava conhecimento umas das outras, pois não havia como distinguí-las e não existia luz. Tudo estava pois confundido, latente, em estado de inércia. Nesse abismo cósmico onde o germe potencial de tudo ocultava-se latente, uma força se movia, informe, sozinha. 0 egípcio chamava a esse cáos de NUN, ou "nada", o Vazio, as "águas abissais". Esse NUN simbolizava a pró-matéria, o elemento primeiro, onde tudo estava atirado e confundido, desordenadamente, em estado de inércia. Contudo,
nesse "nada", ATOM ( ou TEM, TWM, TOMW ), o " Deus que se
fez à si mesmo", desejoso de manifestar-se, emergiu do NUN em
seu primeiro desdobramento. Colocando-se acima das águas, fez emergir
a Colina Primordial, ordenando os elementos e chamando à si a Luz,
através de uma formidável explosão, e surgiu RA, o
Sol. ATOM é o universo em abstração, RA é a
realidade visível desse universo. ATOM-RA é o Grande Demiurgo,
do qual irá originar-se o Cosmos. Os textos explicam que ATOM era
informe, macho e fêmea, abrigando em si os dois princípios
opostos e que seriam separados no ato da Criação.
Assim, a Eneada Heliopolitana não só explicava a Gênese, como também trazia um ensinamento profundamente espiritual. 0 Princípio Uno se desdobrava, do macro ao micro, sua síntese, preconizando o que mais tarde seria dito por outras religiões: o homem é criado à imagem e semelhança de Deus.
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